FAMÍLIA DAS MADEIRAS

FAMÍLIA DAS MADEIRAS

    Os sons da família Madeiras apresentam uma natureza mais macia, mais íntima, com relação aos Metais. A razão da nomenclatura Madeiras é porque estes instrumentos musicais eram construídos basicamente de madeira, apesar de, com o passar do tempo, alguns sofrerem modificações com relação ao material construtivo empregado. Desta maneira, a flauta e o flautim, antes elaborados de madeira, passaram a ser construídos de metal (até a prata é usada!). O Saxofone, feito de metal, utiliza palheta simples de madeira, o que o configura e o classifica na família das Madeiras.

    A Clarineta, tradicionalmente é feita de uma madeira densa, escura e muito resistente, chamada ébano (Mpingo, em idioma de origem africano). Mas, por escassez desta madeira ou por barateamento, vem sendo fabricada com ebonite e outros materiais sintéticos.

    Vemos, pois, que além do tradicionalismo na classificação dos membros desta família, prevalece o padrão do som produzido, que emana do íntimo das madeiras, com timbre de lenha e resina.

    No Jazz, as Madeiras são enormemente empregadas, criando climas de profunda poesia, através de seus sons ricos, suaves, íntimos e líricos.

    A combinação inteligente de diferentes instrumentos de Madeiras - e o Jazz desfila sensíveis e competentes arranjadores neste mister - propicia-nos melodias agradabilíssimas e harmoniosas.

 

As Madeiras se apresentam.

 

Flauta | Saxofone | Clarineta | Oboé | Fagote |

 

 

FLAUTA

    A Flauta é um dos mais antigos instrumentos musicais. Há referências da Flauta de Pã no antigo Egito e Grécia, havendo testemunhos da Flauta transversal em monumentos egípcios, há mais de seis mil anos!

    Este jurássico instrumento musical, fez o seu tímido debutar por volta do ano de 1565, porém, com o formato de Flauta transversa, assumiu definitivamente a sua posição em orquestras em meados do século XVII. A Flauta não possui palheta para produzir som, sendo chamada de instrumento de embocadura livre. Baseia-se no princípio de, soprando-se através de um orifício oval na extremidade de um tubo, a vibração do ar no interior do mesmo, sonoriza-se. Entende-se isto, na prática, ao soprarmos de través no gargalo de uma garrafa. Comprimentos diferentes de tubo, tamanhos diferentes de garrafas, sons diferentes.

    Necessário se faz a identificação dos diversos tipos de Flauta.

Flauta tocada no sentido vertical.

Flauta DoceSão as primeiras Flautas empregadas nas orquestras. A Flauta Doce, Bloch ou Recorder (nome em Inglês) é um tipo de Flauta Vertical, também chamada Flauta de Bico. É um tubo aberto, com bocal tipo bico, orifícios controladores das notas musicais e discreta campânula. A Flauta Doce apresenta os seguintes tipos:

Sopranino em Fá

Soprano em Dó

Contralto em Fá

Tenor em Dó

Baixo em Fá.     

 

SAXOFONE

 

    O Saxofone foi inventado nas imediações de 1840 por Adolphe Sax, músico e construtor de instrumentos musicais belga.

    Embora o seu corpo seja metálico, a sua boquilha é confeccionada de ébano, madeira escura e resistente. Porém, já são encontrados Saxofones com boquilhas feitas em metal ou material sintético, por razões já explicadas.Sax Soprano

    Possui uma palheta simples, elaborada com uma cana (bambu) especial que produz um timbre que o caracteriza como um instrumento da família das Madeiras.

    O Saxofone reina na instrumentação musical segundo os tipos:

Saxofone Sopranino em Mi bemol;

Saxofone Soprano em Si bemol , podendo ser reto: assemelha-se a uma Clarineta cônica / metálica; ou curvo: como o formato dos demais Saxofones (V. Saxello);

Saxofone Contralto ou Alto em Mi bemol 

Saxofone Tenor em Si bemol 

Saxofone Barítono em Mi bemol;

Saxofone Baixo em Si bemol

Saxofone Contra-Baixo em Mi bemol, de ocorrência raríssima, que segundo informações de entendidos, só existem dezessete espécimes no mundo!

Sax Alto Sx Tenor

Sax subcontrabaixo

 

Costuma-se abreviar a palavra Saxofone, para facilitação oral ou escrita, empregando-se o termo Sax. Assim, comumente, vamos encontrar as expressões Sax Soprano, Sax Alto, Sax Tenor, e assim por diante, o que é logicamente correto.

 

CLARINETA

        Descendente da antiga Charamela, a Clarineta foi efetivamente "inventada" em 1690 por Johann Denner, que aplicou os aperfeiçoamentos conhecidos na época. De lá para cá, várias modificações foram acrescentadas ao instrumento, até atingir a configuração atual, como nós a conhecemos. A sua introdução nas orquestras parece datar de 1710 ou 1720.

    A Clarineta é feita de um tubo cilíndrico (reto), tradicionalmente de ébano, madeira preta, dura e de grande resistência. Atualmente, por escassez desta madeira nobre e por barateamento, fabricam-se Clarinetas de ebonite e de outros produtos sintéticos.

    Este instrumento musical, utiliza uma palheta simples (também chamada de palheta batente), similar às dos Saxofones. Trata-se de uma talisca de uma cana especial (bambu), tornada delgada e flexível em uma das pontas. É instalada na boquilha do instrumento, em uma abertura em forma de fenda, sendo presa através de uma braçadeira com parafusos.

    Ao soprar-se, a palheta vibra, fazendo também vibrar harmonicamente a coluna de ar no interior do tubo, produzindo som.

    As chaves com sapatilhas da Clarineta são idênticas às do Saxofone.

    Na extremidade oposta à boquilha, há uma discreta campânula reta do mesmo material do tubo, com exceção aos dois tipos de Clarinetas mais graves, cujas campânulas são metálicas, em forma de cachimbo.

    As partituras para a Clarineta são escritas na Clave de Sol.

    É um instrumento musical bastante ágil, com um timbre rico e belo, variável de acordo com os registros. Assim, o registro grave, que é chamado de chalumeau, fornece um timbre grave e sério. Já o registro forte propicia um timbre frio e ameaçador. O registro piano é tépido e claro. O registro médio é tipicamente suave. O registro agudo é brilhante e penetrante e, por fim, o registro sobre-agudo é de som chilreante, próprio para efeitos especiais.

 

 

OBOÉ

Oboé   Para quem gosta um pouco de História, conta-se que os Cruzados, em suas andanças por Constantinopla, Jerusalém e outras plagas orientais, tomaram conhecimento de um estranho instrumento musical. Este esquisito instrumento oriental era já usado, há muito tempo, pelos sarracenos em suas atividades artísticas, culturais e religiosas. Claro que os Cruzados o trouxeram em seu retorno à Europa, tanto pela curiosidade de suas formas, quanto pelos efeitos sonoros que muito os agradou.

    Com o passar do tempo, este instrumento musical sofreu modificações e melhoramentos. Assim também com o seu nome, que até chegar a Oboé, passou por Hocboy e Hoboy.

    Já difundido, começou a fazer parte das orquestras nos meados do século XVII.

    Atualmente, o corpo do Oboé é constituído por um tubo cônico de madeira e, a melhor escolhida tem sido o ébano , sendo que alguns casos, o cedro.

    É um instrumento musical de palhetas duplas. O que isto quer dizer?

    Uma fina tira de cana especial (bambu), previamente "de molho" em água, é dobrada em dois, dividindo-a pela metade em seu comprimento. Logo após, é colocada com a sua parte livre (não a dobra) em torno da extremidade de um pequeno e delgado tubo metálico (também chamado "staple"), onde são amarradas firmemente com um cordel fino. Sobre este amarrio, costuma-se passar um fixador, que pode ser um esmalte incolor para unhas. A parte extrema , oposta ao amarrio, terá a sua dobra aparada com uma pequena tesoura, ficando as extremidades livres e justapostas. Caracterizam-se, assim, as palhetas duplas.

    Este tubo metálico, já com as palhetas em uma das extremidades, é encaixado pela sua extremidade livre em um pequeno tubo de cortiça, o qual, por sua vez, é encaixado no bocal do instrumento.

    Montagem difícil? Os oboístas dizem que não!

    Evidentemente, os executantes de Oboé possuem uma "coleção" de palhetas já montadas, prontas para o uso.

    A extremidade da palheta dupla é colocada entre os lábios do artista, que, através de um sopro contínuo, fá-las vibrar, reverberando o ar no interior do tubo e produzindo o som.

    Exemplificando na prática, as palhetas duplas funcionam da mesma forma quando as bordas de uma folha de papel dobrada vibram, quando sopradas entre os dedos.

    O Oboé apresenta um sistema de chaves e sapatilhas peculiares, denominado sistema conservatório. Segundo os especialistas, é o Oboé um instrumento musical em transição, isto é, em processo de desenvolvimento, havendo oportunidades e tentativas de melhorá-lo, cada vez mais.

    A Extensão do Oboé compreende duas oitavas justas e uma sexta maior, sendo que as suas partituras são escritas na Clave de Sol.

    Assim como na Flauta, a escala do Oboé divide-se em quatro registros: grave, médio, agudo e sobre-agudo.

    O timbre do Oboé é nasalado, denso e melancólico, mas pode assumir uma característica alegre e saltitante.

    No Jazz, a sua participação é circunstancial e pouco comum.

 

 

FAGOTE

    Fagote   O Fagote é um instrumento musical que tem muitos pontos em comum com o Oboé, sendo considerado, antigamente, como o Baixo dos Oboés, o que não é correto.

    Ao que parece, está nas orquestras desde o início do século XVIII.

    Constituído, também, de um tubo cônico de madeira nobre, mormente o ébano, o Fagote apresenta palhetas duplas, análogas às já comentadas anteriormente, porém maiores e mais consistentes.

    Por causa do grande comprimento do tubo que compõe o seu corpo, o mesmo é dobrado contra si mesmo. Daí a razão da origem do seu nome, fagotto, que em Italiano significa "feixe de varas", pela aparência que suscitou.

    As palhetas duplas ficam em um tubo metálico recurvado (também chamado de "tudel"), para facilitar o acesso do fagotista, sendo que a sua campânula discreta, localiza-se acima da cabeça do executante.

    O instrumento apoia-se no solo através de um espigão, aliviando e facilitando o seu manuseio.

    O Fagote não é um instrumento musical transpositor.

    A extensão do Fagote abrange três oitavas e uma quarta justa e suas partituras musicais são escritas na Clave de Fá na quarta linha, para os sons graves e médios e na Clave de Dó na quarta linha, para os sons agudos. A Clave de Sol é empregada algumas vezes. Os seus registros são: grave, médio e agudo.

    Há apenas três tipos de Fagotes:

Fagote Requinta. É o tipo mais agudo.

Fagote em Dó. É o Fagote mais usado, o Fagote propriamente dito.

Contrafagote. É o Fagote mais grave, que será comentado mais adiante.

 

    O Fagote é um instrumento de grande utilidade na orquestra sinfônica. A sua escala, abrangendo a extensão da voz do homem, permite a sua utilização como solista ou como instrumento complementar na harmonia de nível baixo, emoldurando a sonoridade de outros instrumentos.

    Focalizando o ambiente musical do Jazz, algumas participações do Fagote são registradas, ainda que em escala diminuta.

 

 

Fonte: http://www.renatacortezsica.com.br/jazz/instrumentos/madeiras.htm