Família da Percussão

Família da Percussão

Uma família explosiva!

 

     Instrumentos musicais de Percussão são aqueles que, para poderem soar, necessitam ser agitados ou percutidos. São de origens antiqüíssimas, remanescentes de remotos instrumentos utilizados em rituais religiosos, ou usados em rudimentares meios de comunicação ou ainda, como estimulantes nas lides guerreiras.

 

    Os instrumentos de Percussão dividem-se em duas categorias:

 

    Altura definida ou som determinado. São aqueles que produzem notas de altura determinada, aceitam "afinação" e, determinados tipos, reproduzem melodias.

 

    Altura indefinida ou som indeterminado. São aqueles que produzem sons de altura indefinida, prestando-se para a marcação rítmica ou para a geração de efeitos sonoros especiais. Há numerosos tipos destes instrumentos musicais, sendo muitos deles criados de acordo com a concepção musical do artista ou através do apelo que o arranjo necessita.

 

Estes instrumentos musicais formam o que se chama de cozinha da orquestra, responsáveis pela química dos ruídos intencionais, na música.

 

Então vamos, sem sair do ritmo, dedar os percussivos.

 

Xilofone | Vibrafone | Glockenspiel | Tímbale | Carrilhão de Orquestra | Celesta | Bateria | Caixa Clara | Pratos | Pandeiro | Bombo | Triângulo | Outros Percussivos

 

 

 

XILOFONE

 

   

    O Xilofone é um instrumento musical definido como de Percussão, de altura definida ou de som determinado.

    Apareceu nas orquestras no século XIX.

    Compõe-se de uma seqüência ordenada de placas de madeira, dispostas de maneira análoga às teclas de um Piano. Desta maneira, as placas de madeira de som mais grave estão à esquerda do executante e, em direção à direita, as notas vão tornando-se agudas.

    Há uma seqüência de placas em primeiro plano que equivalem às teclas brancas do Piano (notas naturais) e, em segundo plano um pouco mais elevadas, as placas de madeira que equivalem às teclas pretas do Piano (notas acidentadas).

    Sob cada placa de madeira, há um tubo de ressonância, para uma melhor otimização do som produzido.

    As placas de madeiras, são confeccionadas com todo o esmero possível, criteriosamente secas e afinadas com precisão. Normalmente, a madeira escolhida é a mais fina madeira de roseira. Mas, há outras.

    O Xilofone apoia-se sobre um suporte-cavalete, geralmente com rodízios. O ataque às placas de madeira faz-se mediante duas baquetas, guarnecidas de cabeças, que podem ser de madeira dura, de borracha ou outro material sintético, conforme o efeito que se queira.

 

    A extensão do Xilofone abarca três oitavas justas e o seu timbre revela-se seco e lenhoso. O instrumento permite o procedimento de expressões e agilidades tanto cromáticas como diatônicas, dependendo do desempenho de seu executante.

    A Marimba é um tipo de Xilofone, com as placas de madeira mais estreitas, resultando em uma maior extensão.

    Um tipo bastante particular de Xilofone é o Balafon ( Balaphon, Balo), originário da África do Sul, com ocorrência também em outros países deste continente. Compõem-se o Balafon de pequenas placas de madeira (a Teca é a mais empregada), de tamanhos e afinações diferentes, montadas paralelas umas às outras e amarradas ordenadamente em duas travessas ortogonais, também de madeira, apoiadas sobre couro. Obtém-se o som, que é mais opaco e menos potente com relação ao Xilofone, percutindo-as por meio de pequenas baquetas. O número de placas de madeira varia, podendo atingir até vinte e duas. Alguns músicos de Jazz têm demonstrado interesse por este instrumento musical africano, tendo sido introduzido em seus trabalhos vanguardistas

 

 

VIBRAFONE

 

        O Vibrafone, ou Vibráfono para alguns, é um instrumento de Percussão, que se define como de altura definida ou de som determinado.

    Foi inventado por volta de 1915 e, tecnicamente, foi baseado no Xilofone, com algumas modificações.

    A placas de madeira foram substituídas por lâminas metálicas com afinação, em número de trinta. Nos tubos de ressonância (um para cada lâmina metálica) foram instalados, em seus interiores, pequenos ventiladores elétricos. A finalidade destes ventiladores é fazer com que o volume do som produzido seja aumentado, criando ainda um agradável vibrato, que pode ser mantido por longo tempo.

    Foi, ainda, inovada a instalação de abafadores, que atuam sob as lâminas, a fim de regular o tempo dos vibratos. Estes abafadores são acionados através de um pedal.

    O Vibrafone é tocado com duas, três ou quatro baquetas, podendo produzir os acordes desejados. As baquetas, por sua vez, possuem cabeças que podem ser revestidas de lã, borracha ou outro material.

    O instrumento apoia-se sobre uma estrutura, geralmente sobre rodízios.

    A extensão normal de um Vibrafone de trinta lâminas é de duas oitavas justas e uma quinta justa, havendo, no entanto, Vibrafones de três oitavas justas.

    As partituras musicais para o Vibrafone são escritas na Clave de Sol e na Clave de Fá na quarta linha.

    O Vibrafone apresenta um timbre cristalino, poético e surpreendente. O seu vibrato é perfeito, reproduzindo-se como ondas sonoras bem desenhadas.

    O Jazz abriu um espaço importante para este belíssimo instrumento musical e que foi muito bem aproveitado por excelentes vibrafonistas.

    Ao falar-se em Vibrafone, um nome imediatamente assoma à nossa mente: Milt Jackson, que alcançou com o instrumento uma grande profundidade técnica e emocional. Porém, o Vibrafone atraiu outros grandes nomes, de excepcional valor. Para conhecê-los, basta consultar a Seção Galeria.

 

GLOCKENSPIEL

 

    O Glockenspiel, também chamado de Metalofone, é um instrumento musical percussivo, definido como de altura definida ou de som determinado. Seu nome, Glockenspiel, em Alemão traduz-se como toque de sinos.

    Trata-se de um tipo de Vibrafone portátil, para ser usado sobre uma mesa, portanto sem estrutura de suporte. É composto de trinta placas oblongas de aço, dispostas também como as teclas de um Piano.

    Não possui tubos harmônicos, sob as lâminas metálicas (só raramente são usados). As baquetas podem apresentar-se com cabeças de madeira (dura ou mole), borracha ou metal, conforme o efeito desejado.

    A extensão do Glockenspiel compreende três oitavas justas mais uma quarta justa. Este instrumento musical é empregado em efeitos sonoros especiais ou em diversas aplicações escolares.

Modernamente, encontra-se o Metalofone Profissional, com trinta lâminas de liga especial de alumínio montadas em estojo dobrável forrado de carpete. Há ainda os Metalofones em caixas de madeira, contralto, contralto sustenido, soprano e soprano sustenido. Um tipo bastante difundido de  Metalofone é a Lira, destinada a bandas e fanfarras. Portáteis, são suportadas por uma bandoleira e apresenta número de lâminas variáveis: sete, oito ou vinte e cinco.

 

 

TÍMBALE

 

     O Tímbale ou Tímpano é o único tambor que apresenta a propriedade de soar notas de alturas definidas. Desta forma, os Tímbales podem ser afinados e produzir sons determinados.

    O Tímbale pode ser facilmente reconhecível. Tem o formato aproximado de uma meia esfera (um hemisfério), geralmente feito de folha de cobre ou latão, com uma cobertura de pele esticada em sua abertura.

    Através de um pedal, instalado na base de sustentação do Tímbale, aumenta-se ou diminui-se a tensão da pele percussiva, fazendo-se, com isto, a variação das notas de alturas diferentes.

    Normalmente, em uma orquestra, usa-se Tímbales de tamanhos diferentes, em número de dois ou mais, conforme se deseje o tamanho da escala a obter-se.

    As baquetas ou bilros, usados nos Tímbales, são de madeira, encabeçadas com feltro, madeira, algodão ou couro, de acordo com a sonoridade escolhida.

    A extensão do Tímbale é de uma quinta justa e as suas partituras musicais são escritas na Clave de Fá.

 

 

 CARRILHÃO DE ORQUESTRA

 

    O Carrilhão de Orquestra é também um instrumento musical percussivo, definido como de altura definida ou de som determinado.

    Também chamados de Sinos, o Carrilhão de Orquestra é composto por uma seqüência ordenada de tubos ocos de aço, pendurados por uma das extremidades em uma estante (armação), com rodízios. O tipo padrão, usado nas orquestras, comporta vinte tubos, reproduzindo os sons das escalas diatônica e cromática.

    Não confundir o Carrilhão de Orquestra com sinos propriamente ditos, usados em igrejas. Estes, muito raramente são empregados como recurso percussivo em orquestras, por dificuldades materiais.

    A extensão do Carrilhão de Orquestra pode abranger duas oitavas justas e as suas partituras musicais são escritas na Clave de Sol, para os tipos de instrumentos mais agudos e na Clave de Fá na quarta linha, para os tipos de instrumentos mais graves.

 

    Para tocá-los, o percussionista bate com a baqueta de madeira nos tubos, próximo à extremidade superior dos mesmos.

    O Carrilhão de Orquestra produz sons melodramáticos, de efeitos semelhantes aos sinos de igreja.

 

 

CELESTA

 

    A Celesta é um instrumento musical de Percussão, definido como de altura definida ou de som determinado.

    Inventada por volta de 1886, a Celesta ou Tirofone, como também é chamada, pode ser considerada semelhante a um Glockenspiel, ao qual foi adaptado um teclado. Tem, portanto, uma aparência de um pequeno Piano, apenas no que diz respeito ao aspecto visual.

    Quando as teclas são premidas, os martelos golpeiam as placas metálicas, no interior da caixa harmônica, fazendo com que a sonoridade seja mais nítida.

    A Celesta apresenta uma extensão normal cromática de quatro oitavas justas e suas partituras musicais são escritas nas Claves de Sol e de Fá na quarta linha. Tudo parecido com o Piano, até a maneira idêntica de tocar.

    A Celesta possui um timbre nítido, prateado e delicado, lembrando a sonoridade de sinos.

 

 

BATERIA

 

     Membro da família da Percussão (v. Quadro Sinótico).

 

    A Bateria é um instrumento musical de Percussão, configurado como de altura indefinida ou de som indeterminado.

    Vamos considerar a Bateria como sendo um instrumento musical, porque na verdade ela é constituída de vários itens, que variam de acordo com as necessidades de seu executante.

    Basicamente, uma montagem mais simples de Bateria consiste de um Bombo, tocado a pedal; duas caixas tenores diferenciadas; dois repiques, de tonalidades diferentes; um Chimbau (hit-hat), acionado a pedal e pratos de ataque a baqueta ou a vassourinha.

    No Jazz, a Bateria assume uma primordial e indispensável participação instrumental, em quase todos os seus segmentos musicais.

    A sua importância no Jazz, coincidiu com o surgimento de excepcionais bateristas, que revolucionaram, com suas técnicas, a história deste instrumento.

    Um nome está ligado intimamente à Bateria, como se o instrumento fosse uma extensão de seu próprio corpo: Art Blakey! É o que sentimos.

    Além dele, outros notáveis bateristas registraram, com admiráveis desempenhos, os talentos de seus trabalhos. Através da seção Galeria, poderemos localizá-los.

    Aí vem barulho do bom!

 

 

CAIXA CLARA

 

        A Caixa Clara afirma-se como um instrumento musical de Percussão, de altura indefinida ou de som indeterminado.

    É um tambor, oriundo de atividades militares, carregado à tiracolo pelo executante. Possui duas membranas (peles): a superior, para ser percutida e a inferior, apoiada na esteira (vários fios esticados), que entra em ressonância com a primeira.

    A Caixa Clara é muito conhecida através de fanfarras, sendo também chamada de Caixa de Guerra, Caixa Forte ou Caixa Militar.

    Existe, também, uma caixa, de menor espessura, chamada de Repique, assim como também existe a Caixa Tenor, que é uma caixa mais alta e sem a esteira.

    As partituras musicais para a Caixa Clara são apenas rítmicas, escritas na Clave de Sol na linha de Dó.

 

PRATOS

 

    Igualmente, são instrumentos musicais de Percussão, denominados de altura indefinida ou de som indeterminado.

    Os Pratos são instrumentos musicais de origem oriental e, antigamente, a Turquia tinha a primazia de fabricar os melhores, fazendo segredos sobre a sua fabricação.

    Campeões de barulho, os Pratos podem ser tocados de várias maneiras: batendo-se um contra o outro, atritando-os entre si, golpeando-os com a baqueta, ferindo-o ou atritando-os suavemente com a vassourinha, etc.

    Os Pratos, normalmente, apresentam partituras musicais escritas na Clave de Fá, com indicações específicas.

 

 

PANDEIRO

   

    Instrumento musical percussivo, de altura indefinida ou de som indeterminado.

    O Pandeiro, ou Pandeireta, é aquele instrumento por demais conhecido por todos. Uma membrana esticada sobre a abertura de um aro circular, munidos de discos metálicos (soalhas) definem praticamente o Pandeiro.

    A pele, ao ser ritmicamente percutida, tira do conjunto um som tilitante, muito característico.

    As partituras musicais escritas para o Pandeiro, que são as notações rítmicas desejadas, podem utilizar a Clave de Sol na linha do Sol ou utilizar apenas uma linha do pentagrama (sem Clave), atonalmente.

 

BOMBO

 

      É um instrumento musical de Percussão, de altura indefinida ou de som indeterminado. O Bombo é um grande tambor, de som grave, profundo e indefinido. Apoia-se no solo sobre um cavalete ou é carregado, ortogonalmente sobre o peito, dependurado no pescoço através de uma bandoleira.

    Assim como as Caixas, o Bombo possui também duas membranas, porém não é usada a esteira em nenhuma delas. Qualquer uma das duas membranas, ou as duas, pode ser golpeada. A percussão faz-se por meio de uma maceta ou maçaneta, massa esférica de couro ou cortiça, com cabo de madeira.

    As partituras musicais para o Bombo geralmente são escritas na Clave de Fá, na linha Dó e limita-se a uma notação rítmica.

 

TRIÂNGULO

 

        O Triângulo faz parte desta família como um instrumento musical de altura indefinida ou de som indeterminado.

    Construtivamente, é feito de vergalhão (barra redonda e delgada) de aço, dobrado segundo um triângulo eqüilátero, com um dos vértices aberto.

    Quando percutido com sua baqueta metálica (uma simples barrinha), apresenta um timbre metálico, agudo e penetrante, porém de altura indefinida.

    As partituras musicais para o Triângulo, escrevem-se na Clave de Sol ou sobre uma só linha, atonalmente.

 

 

OUTROS PERCUSSIVOS

 

    A seguir, apresentamos a nomeação de outros instrumentos da família da Percussão, configurados como de altura indefinida ou de som indeterminado.

 

    Há uma diversidade muito grande desta família e, principalmente na Música Contemporânea ou no Jazz mais moderno, os percussionistas inovam e desenvolvem novos e curiosos instrumentos. Já assistimos apresentações onde a seção percussiva utilizava-se de vasos de barro e até de utensílios de cozinha, como chaleiras, panelas, colheres, etc.

 

    Lembramos de alguns outros: Castanholas, Blocos de Madeira, Tantã ou Gongo, Caixa Surda, Atabaque, Agogó, Ganzá, Afuxês, Chicote, Tamborim, Cuíca, Reco-Reco, Reco-Reco de Cabaça, Guizos, Maracas ou Maracás, Pau de Chuva, Bangôs, Congas, Frigideira, Cincerro (Cowbell), Washboard, Berimbau, African Drum, Tambora Dominicana, Steel Drum (ou Pan), Vários tipos de Pios e Apitos, balacatô (com e sem afinação), Bongô Cabaça (com e sem afinação), Kalimba, Cabuletê, Xequerê, Xequebom, Pote de Cerâmica, Caxixis, Conguê de Coco, Clave de Rumba, Platinela, Campanela, Pandeiro Pastoril, etc, etc, etc... Alguns destes ítens podem ser encontrados no Capítulo Baú

 

 

 

 

 

Fonte: http://www.renatacortezsica.com.br/jazz/instrumentos/percussao.htm